Alucinações - Contos - Pensamentos


02/09/2008


Indignação

    A que ponto chega a imbecilidade humana? Até quando vamos aturar que pobres aspirantes a ser humano ofendam de forma de forma clara e ofensiva quem quer que seja?

    Trabalho numa empresa que oferece um pequeno refeitório para os funcionários e na hora do almoço temos contato com pessoas de todos os departamentos.

    É normal brincadeiras e piadas tanto entre os que se conhecem como até com as pessoas que se conhecem apenas de vista nessa hora.

    Estava terminando meu almoço quando entrou uma aspirante a ser humano no refeitório, classifico-a como aspirante a ser humano pelo tamanho do absurdo que tivemos que escutar.

    Alguns instantes depois que essa criatura entrou na cozinha entrou também uma negra amiga minha, chamada Márcia. E a cena que se segue é a seguinte:

    "Ô idiota, pega um guardanapo para mim!" – disse a aspirante.

    "Levanta e pega você mesma, não sou sua empregada!" – respondeu a Marcinha.

    "Realmente você não é empregada, pela sua cor você é escrava!"

    Esse é o tipo de aspirante a ser humano que infelizmente, todos temos que conviver diariamente. Além de me deixar extremamente nervoso, irritado e indignado, isso me deixou acima de tudo chocado, chocado ao ponto de não conseguir raciocinar na hora, a única coisa que consegui fazer foi levantar, pegar minhas coisa e ir embora.

Categoria: Desabafo
Escrito por Fandas às 13h48
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17/04/2008


Juizes globalizados

    Desde que o mundo é mundo a maldade humana é latente em todos nós, seja por simplesmente "judiar" da formiguinha até nossa crueldade com outros seres humanos.

    O que me surpreende é a capacidade de julgamento emergente em tempos de globalização, acesso a informação on line. Hoje vemos uma notícia na TV, uma tragédia, um crime, cinco minutos depois já há uma opinião "inconsciente". Somos juizes e carrascos, esqueça do direito a defesa.

    Alguém pode dizer que são reações naturais do ser humano e há acordo pleno nisso, o problema é que estamos cada vez mais carregando essas reações para nosso cotidiano, para nossas pequenas tragédias diárias.

    Seja uma discussão no trabalho, um pequeno entrevero de família. E como juizes e carrascos nos damos o direito de fazer campanha contra o "réu", é claro como vítimas de ato absurdamente cruel nos vemos habilitados a obrigar família e amigos a condenar a total e absoluto desprezo o dito monstro.

    Convocamos por e-mail, telefone, blog, orkut, myspace e todos os meios possíveis uma verdadeira caça as bruxas contra aqueles que por ventura tenham de alguma forma nos feito vítima da sua desumanidade.

    Quem nunca odiou um colega de trabalho por ele ter criticado uma planilha, ter opinado sobre uma apresentação que ficamos por horas e horas, talvez até dias desenvolvendo, e por causa disso mobilizamos todos a nossa volta a condenar o tal intrometido?

Categoria: Desabafo
Escrito por Fandas às 14h27
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27/03/2008


Americanos

    Tem coisas que só se vê nos Estados Unidos.

    É histórico que lá a preocupação com o racismo é exacerbada, prova de que o povo é, continua sendo e pouco provavelmente deixará de ser racista e porque não dizer paranóico.

    Capa da revista Vogue do mês de abril a modelo brasileira Gisele Bündchen aparece ao lado do jogador de basquete do LeBron James do Cleveland Cavaliers. Nada demais.

    Mas a neurose americana chega a tal ponto que uma simples foto do "casal" tem causado críticas por parte de entidades de defesa dos afro-americanos. Clique para ver a foto e a matéria: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL365625-7084,00-CAPA+DE+REVISTA+COM+GISELE+BUNDCHEN+CAUSA+POLEMICA+NOS+EUA.html

    Associar uma foto com a discriminação racial e associá-la a cena do filme King Kong é mais do que neurose é tara por discriminação, é procurar pêlo em ovo, cabelo em cabeça de careca é incitar um povo já cheio neuroses e traumas a mais umas.

    Santa paciência!

Categoria: Desabafo
Escrito por Fandas às 12h21
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Big Brother

    Há oito edições é fato que o Brasil acompanha o Big Brother, é fato também que depois de algum tempo ninguém mais lembra quem ganhou, quem perdeu e muito menos quem participou, mas até aí nenhuma novidade.

    E polêmicas a parte o que me surpreendeu foi a câmara dos deputados do Piauí primeiro ter dado espaço para um de seus "tão ocupados" deputados para discursar em nome da participante Gyselle pedindo que o Nordeste se unisse e votasse em peso para que ela ganhasse o prêmio de 1 milhão de Reais. O que isso muda na vida do piauiense que trabalha de Sol a Sol, paga seus impostos e a isso inclua o salário dos ditos parlamentares, o que isso acrescenta de produtivo e importante na vida de qualquer um?

    Não critico a união de qualquer região, estado, município ou comunidade para ajudar participante de qualquer coisa, mas sim um "parlamentar" usar o "precioso" tempo da dita casa para se aproveitar e fazer palanque em época de eleição é um pouco demais.

    E o disparate não pára por aí, a mesma respeitosa câmara colocou em dúvida o resultado do jogo, alegando que é impossível se obter uma vitória por uma margem tão pequena de pontos e que isso foi armação da emissora que mais uma vez foi contra o povo do Nordeste.

    Quem será que foram os professores de matemática desse tão sério e dedicado parlamentar? Qual será o conceito de matemática que sua excelência tem? Que tipo de eleição será que fazem no Piauí?

    Será que algum assessor não leu o discurso, ou mais ainda, que tipo de assessor esse parlamentar tem para deixar que dissesse uma bobagem tão grande?

    Além da perda do precioso tempo da câmara de deputados do Piauí o parlamentar eleito pelo voto direto e consequentemente com matemática simples, ou seja, é eleito aquele que recebeu maior quantidade de votos, o tão prestativo parlamentar perdeu uma valorosíssima oportunidade de manter sua excelentíssima boca fechada!

Categoria: Desabafo
Escrito por Fandas às 12h08
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17/03/2008


Ser pai

    Fui pai bastante cedo, tinha 20 anos quando minha filha nasceu, talvez em decorrência disso me separei muito cedo e consegui por 5 anos ter minha filha morando comigo. O tempo passou e ela escolheu morar com a mãe.

    Sempre fomos muito mais amigos do que pai e filha, percebo isso hoje em dia com bastante clareza, principalmente depois que meu filho nasceu (minha filha é onze anos mais velha).

    Dia 27 de fevereiro foi aniversário dela, doze anos, uma mocinha. Fomos ao shopping tomar um lanche e comprar o presente de aniversário.

    Além do lanche ela pediu também um sorvete que deixou para pegar depois de comer. Quando ela levantou e foi pegar o sorvete fiquei olhando para ela e vi como cresceu... E muito rápido, os anos passaram e eu nem percebi. Ela estava com uniforme da escola, do time de handbol. Mangas dobradas para dentro da camiseta, short e tênis.

    "Caramba, minha filha já é uma moça!". Pensei na mesma hora.

Escrito por Fandas às 15h40
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